Um inventário de lugares, paixões e tempos está em formação em “Uma sessão no parque”, de Luís Matheus Brito, que se lança numa dinâmica labiríntica para compor os poemas. Dividido em prelúdio e três partes, o livro acumula um conjunto de imagens que, em vez de oferecer uma visão acurada, passa a camuflar, distorcer e rasurar a experiência, que, na maioria das vezes, está circunscrita à cidade de Aracaju. Daí a presença de nomes familiares para os moradores da capital sergipana, como “Avenida São Paulo”, “Cinema Vitória” e “Morro do Urubu”, que se transformam em títulos de poemas da primeira parte. No entanto, os nomes também se envolvem no trabalho de falsificação da poeta: “Para um nome vir à superfície/ e, aqui, ganhar corpo/ há uma substituição./ Um nome é escamoteado,/ lançado para os fundos,/ ficando, agora, fora de campo”, escreve Luís Matheus no poema de abertura, “De escanteio”, ao mesmo tempo que condensa parte das operações da obra. Em outras palavras, o que se manifesta em “Uma sessão no parque” tem a ver, acima de tudo, com o fora de campo das experiências — o lado da marginália, o lado do resíduo, que, uma hora ou outra, podem assentar os acontecimentos. [...]